Animais Fantásticos e Onde Habitam [Review]: J.K.Rowling aposta em Pokémon realness para seu comeback, será que valeu a pena??

Depois da bomba que foram os últimos filmes do Harry Potter, era muito difícil imaginar que J.K.Rowling tentaria outra desventura cinematográfica dessas. Porque (A) ela já é tão rica quanto a fortuna que o jovem Príncipe Jorge ainda irá herdar, (B) o fim da saga de filmes Harry Potter foi bem ruim se comparado aos livros  e (C) provavelmente ela queria escrever algo diferente pra variar. Mas, bem, nenhum desses motivos impediu a mercenária de lançar mais um filme da franquia (e pode considerar que ela lançou mesmo já que a J.K. está produzindo e roteirizando o filme). A grande questão é: vale a pena ver esse novo filme?? Ou é só um fillerzinho pra roubar nossos centavos??

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[Aviso: Spoilers]

A Trama

Os Animais Fantásticos é tudo que um fã de Harry Potter potterhead poderia sonhar, só que não. A trama não é a esperada continuação de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” e nada tem a ver com o bruxinho de óculos. Ao invés disso, seguimos Newt Scamander, o adorável magizoologista na Nova York da década de 1930, com objetivos francos e puros até ser imerso em uma espécie de conspiração para revelar o mundo bruxo para os trouxas não-magi.

Sinceramente, a premissa foi muito boa. Se em Harry Potter saímos do mundo trouxa para o mundo bruxo, em Animais Fantásticos fazemos justamente o contrário. Este fato acabou por renovar a criatividade por trás da saga de Harry Potter, mesmo não sendo uma ideia lá muito inventiva. Além disso, a impressão da magia fica bem maior no passado, não é mesmo?? Tipo, se hoje cozinhar em poucos minutos é algo comum, no passado, isso só podia ser considerado mágica… Pegou a ideia??

Sem contar que, bebendo da fonte (in)direta de X-Men, toda a questão do preconceito é posta como um subtexto, podendo ser claramente relacionada tal qual X-Men aos movimentos feministas, raciais e LGBT. EEEE, não contente com isso, J.K. ainda coloca a questão da preservação do meio ambiente e dos animais em extinção (representado pelo próprio perigo que corre os animais fantásticos em decorrência da ação humana).

Resumindo: a trama principal está bem delineada, tem subtextos e segue forte sem qualquer problema. O grande problema, infelizmente, ficou pra falta de consistência do pano de fundo, cheio de informações jogadas sobre um tal de Grindewald, completamente confusas para quem não leu os livros.

De toda a forma, o filme ganha muitos pontos por resgatar a aura inocente que Harry Potter tinha no começo da franquia. Porque, convenhamos, a magia ficou muito menos mágica a partir do Cálice de Fogo… Não porque o roteiro ficou ruim isso só ia acontecer a partir de a Ordem da Fênix, mas porque a magia não surpreendia mais. O vilão e o herói se tornaram tão definidos que não tinha mais espaço para se maravilhar com um feitiçozinho aqui e ali.

Os Personagens

Newt Scamander (a.k.a. Oscar de Melhor Ator Principal/2016) é, como já disse, adorável. Não tem como não simpatizar com o jeito bobão e atrapalhado que ele possui. Na verdade, numa análise mais profunda, ele é a clara antítese do Harry Potter (e por isso eu devo ter me apaixonado por ele, já que o Harry é o pior personagem da saga), porque enquanto o passado obscuro e triste do bruxinho é marca em sua vida, os traumas de Newt estão escondidos em camadas de bom humor e atitudes a la Doctor Who (e isso é um elogio).

Popertina Goldstein (a.k.a. a mulher do Steve Jobs no filme que tem o Ashton Kutcher) pode parecer uma personagem bem rasa na sua primeira aparição. Ela serve bastante de escada pro Newt, mas isso não tira um pouco do brilho dela, principalmente envolvendo ela interagindo com o coitado do Creedence. No fim, ela é a típica personagem da amiga nas comédias-românticas: parece que não tem cheira nem fede, mas se tirar da história, o filme fica ruim.

Jacob Kowlski (a.k.a. um atoe aí que já dublou Kung Fu Panda) é o Watson para o Sherlock de Newt. O fato de ser um trouxa não-magi em meio ao mundo bruxo nos faz identificar com ele, que acaba por ser nossos olhos frente a loucura das sequências das criaturas mágicas. Um personagem simples e encantador justamente por ser assim. E o melhor de tudo: ele não é magro, não é atlético, nem nada. Ele é protagonista e é gordinho. É incrível ver uma franquia grande dessas apostar em um personagem fora dos padrões de beleza do ocidente. Palmas a ele.

Queenie Goldstein (a.k.a. Alison Sudol – muito nova ainda na carreira de atriz pra ter uma referência), apesar de ser a que menos aparece dos mocinhos, ganhou meu coração. Talvez seja a semelhança com a Jean Grey (que combina perfeitamente com o subtexto de preconceito dos X-Men), afinal: ruiva e lê mentes. Ou o romance com o Jacob (muito fofo >_<). Me pergunto se J.K. Rowling assumiu que se inspirou realmente na Jean ou se foi só “coincidência”…

Percival Graves (a.k.a. Mercenário do filme do Demolidor) foi uma surpresa… Não só porque ele é na verdade o tal do vilãozão da saga (o Grindewald que falei lá em cima), mas porque fiquei o filme inteiro me perguntando se ele era vilão ou não. No fim ele era. Mas que vê-lo se transformar no Johny Deep foi realmente surpreendente.

Credence Barebone (a.k.a. o Flash do mundo cinematográfico da DC) poderia ser um protagonista de “O Lar das Crianças Peculiares da Srta. Peregrine”. O ator já tem A cara para fazer alguém “esquisito”, ainda me jogam numa criança que sofreu abuso a infância inteira da mãe porque era um bruxo?? Sen-sa-ci-o-nal. Só uma pena que ele apareceu pouco na trama e já morreu (ou será que não??)… Bem, pelo menos agora tô tranquilo quanto a competência desse ator pra interpretar o Flash.

Mas quem rouba a cena mesmo, não tem como negar, são os pokémons animais fantásticos (por isso os vários gifs aleatórios). São tantos e tão diversos que realmente lembrou a época em que eu assistia Pokémon e me encantava toda vez que algo novo aparecia na Pokedex. A cada dez/quinze minutos do filme uma nova criatura aparece para fazer seus olhinhos brilhar… Parabéns aos efeitos especiais!! Está tão impecável que nem tem o que dizer além disso mesmo…

A expectativa que fica é ver mais desses animais conforme a franquia evoluir.

O que o filme agregou para Harry Potter??

Confesso que não li os livros, por isso tive que dar uma pesquisada a fundo para entender quais eram as grandes revelações que o filme trazia em relação a saga principal. Se você também não leu o livro, aqui está uma pequena explicação pra você:

Parece que a briga que Dumbledore teve com o Grindewald foi porque os dois namoraram e tipo, o carinha só tava usando o diretor pra pegar o poder da irmã dele, que, pelos relatos nos livros da primeira saga, também era uma obscurus. Isso significa que provavelmente nos próximos filmes veremos um Dumbledore jovem e a aproximação desses dois, já que a batalha parece que aconteceu em 1945.

Bastante impressionante, né?? Uma pena que nem os filmes do Harry Potter nem Os Animais Fantásticos ajudaram para nós, não-potterheads, entender isso sem um pouco de Google.

Pelo menos a ideia é que este filme é o começo de uma franquia de cinco filmes. Ou seja: ela terá tempo de desenvolver MUITO BEM toda esta história envolvendo o Dumbledore e o Grindewald.

Veredito

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” é o filme leve que nem Pokémon a saga do Harry Potter precisava desde o Cálice de Fogo. A história principal é simples, e talvez, por isso não agrade todos, mas realmente vai conseguir atrair novos fãs para a franquia. O grande problema mesmo foram as grandes referências que esses novos fãs perderam, mas isso nem chega a ser muito culpa desse filme, mas sim das adaptações do outros filmes da saga…

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