[Especial] Representação LGBT+ VS Fanservice (ou com a estréia do primeiro k-idol assumidamente homossexual, vamos refletir sobre algumas coisas??)

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Eis que hoje mais cedo eu já estava preparando a BookTape Vol.2 e o Capítulo 2 da Saga da Diva Quase Aposentada Namie Amuro quando a música do Holland, anunciado por aí como o primeiro idol gay assumido no meio, saiu. Eu pensei em tentar encaixar o comentário que eu queria fazer do lançamento em algumas categorias do blog (como fazer um Duelo Musical contra o último lançamento do Troye Sivan ou uma Fanfic a partir do clipe), mas achei que tinha de trazer um pouco mais de seriedade pro post. Então resolvi um escrever uma reflexãozinha rapidinha aqui… Partiu??

Já vou começar dizendo que gostei da música. Ela tem uma pegada meio indie baladinha de cafeteria que só funciona comigo quando tem algo a mais por trás, como o todo o álbum Blue Neighbourhood do Troye Sivan. O clipe foi algo simplesinho, visualmente bonito e tivemos algo realmente um relacionamento homossexual representado, sem jogos de sombra, quase beijos, teorias e tudo mais.

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E é por conta de todas estas outras situações que o lançamento de Holland promove a reflexão: o queerbaiting (ou seja, a sugestão de um casal homossexual, sem qualquer aprofundamento ou possibilidade real e verossímil no contexto, usada só para atrair o público LGBT) e o fanservice brilham tanto no oriente que quase cega. Os exemplos são milhares, desde boybands cheias de ships homossexuais (como ShiNee, Super Junior e BTS aí em cima) até os parças de shounenzões  que secretamente se amam mas só as fãs fujoshis sabem (como Hyoga e Shun nos Cavaleiros do Zodíaco e Naruto e Sasuke em Naruto).

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Um imenso mercado se formou acima deste público, o fato é este, e não há o menor problema em existir um mercado assim. A grande questão é que esta forma de cultura/arte não tem e nem pretende ter caráter representativo. Podem reparar que vários consumidores deste tipo de produto (falo pelo que já vi  por aí e claramente não é todo mundo, que fique bem claro) não enxergam com bons olhos um relacionamento homossexual que não o representado nos produtos culturais que consome, como a menina fujoshi em relação a um relacionamento lésbico e o machão que adora ver uma cena lésbica em filmes mas vira o olho para um casal gay.

O problema é que este tipo de “representação” engole tentativas reais de dar voz às minorias. O mercado percebeu a demanda por representatividade e a transmutou em um produto que pode ser consumido sem por em risco os padrões da sociedade, com família nuclear e heterossexual.

MERindigna
FONTE:  Vida e Obra de Mim Mesmo, por Ricardo Coimbra na Folha Ilustrada.

Mas não é por este motivo que devamos julgar todo o tipo de utilização da causa LGBT+ como maléfica. Por mais que o queerbaiting tenha seus pontos negativos, muitos de nós vimos um comecinho de representação justamente nestes produtos massificados e, a partir deles, passamos a refletir sobre as minorias e conhecermos representações propriamente ditas.

Em resumo: é MUITO complicado!

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A interpretação é algo extremamente subjetivo e os efeitos que um produto cultural pode ter na sociedade são imprevisíveis. Por isto mesmo que o melhor a se fazer antes de tomar alguma opinião concreta é refletir.

No caso de Holland, seu videoclipe estava em #28 dos Vídeos em Alta no Youtube quando o assisti. Se, por um lado, isto claramente é parte do reflexo mercadológico do uso da causa LGBT+ pelas grandes empresas, podendo até a própria homossexualidade de Holland ser uma jogada de marketing; por outro, isto é parte de um movimento por parte de vários fandoms para dar visibilidade a um artista que está tentando ir contra os preceitos machistas e homofóbicos não só na Coreia do Sul como no oriente como um todo.

Por mim, eu só espero que o lado bom seja maior que o lado ruim e que Holland encontre o sucesso.

Este beijo merecia um gif sério, não precisa de corpos sarados, não precisa de shipps, são só dois carinhas se beijando mesmo  e isso é representativo pra caramba ❤

PS: Eu apaguei e reescrevi este post várias vezes para não acarretar em mal entendidos… Se alguém se sentir ofendido pelo o que eu falei ou discordar ou achou que entendeu errado ou qualquer coisa assim pode comentar aí de boas ^^

10 comentários

  1. 1- Curti seu texto, esse assunto rende bastante, mas acho que vc tratou bem dele e de forma resumida.
    2- Isso que eh cena de beijo, melhor do que muito drama por ai onde a protagonista tem que ficar imovel para parecer pura e recatada enquanto o cara mal encosta na boca dela.
    3- Sobre fanservice homoerotico, acho que as fans gostam pq isso alimenta a fantasia delas de como o oppa agiria se estivessem em um relacionamento (eh ciumento, gosta de abracar o tempo todo, etc). Elas podem se imaginar no lugar de um dos idols. Em tese seria possivel fornecer a mesma fantasia com interacoes entre idols de sexos opostos, mas as fans nao aceitariam isso pq seria uma ameaca a fantasia delas (a fulana ta roubando “meu” oppa), enquanto que interacoes com idols do mesmo sexo nao sao vistas como ameacas pq pra elas nao se trata de um relacionamento de verdade ou do mesmo valor/seriedade. Pode shippar dois idols do mesmo grupo, reunir “provas” do relacionamento deles, mas eles continuarao sendo visto como hetero, mesmo idols que muito provavelmente nao sao.
    4- “O mercado percebeu a demanda por representatividade e a transmutou em um produto que pode ser consumido sem por em risco os padrões da sociedade”. Perfeito. Isso vale tambem para as empresas de cosmeticos utilizando o discurso do girl power e relacionado ao kpop (bem como em outras industrias) tem o tal discurso do sexy “empoderado” que tenho visto entre fans internacionais. O conteudo eh o mesmo, bem como o objetivo, so a roupagem que muda pra ficar mais apelativa para os novos padroes dos consumidores. Ta todo mundo consumindo a mesma coisa, mas a roupagem nova ajuda a nao ter a consciencia pesada.

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      • Fica tranquila kkk Você disse TUDO!!!! Eu não tinha pensado na questão da “ameaça a meu oppa”, mas realmente, é algo que a gente percebe que acontece e, o que, ironicamente ou não, acaba invisibilizando as minorias… E quando ao girl power, é algo que eu percebo também… Lembro até hoje de quando cliquei em “Female President” do Girl’s Day e me decepcionei com o clipe :/

        Ah, e muito obrigado pelos elogios xD

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  2. Primeiramente seu texto está ótimo como sempre *=*, eu confesso que só tive curiosidade de ouvir a música pela thumb @-@ , mais ó eu não me decepcionei não , curti a vibe da música , eu geralmente curto esse pessoal mais indie , a voz dele me incomodou um pouco no começo mais já me acostumei , além do mais é um debut , o garoto ainda tem muito a melhorar. E a cena do beijo foi LINDA de se ver , sério , finalmente um beijo de verdade nessa bagaça xD.

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    • Brigado pelos elogios *-* Eu também acabei só ouvindo a música pela thumb kkk E por isso mesmo que a gente acaba pensando “mano, o que mais eu já fui atrás só por parecer que tratava deste tópico??”. Eu acabei já me acostumando com cantores com ~baixa qualidade vocal~, por assim dizer, então acabei nem me incomodando com isso kkk Mas esse é o começo, provavelmente o garoto ainda vai crescer muito xD

      “Finalmente um beijo de verdade nessa bagaça xD” – eu não poderia ter me expressado melhor ^^

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  3. Seu texto esta ótimo e me impressionou essa tirinha ai da revolta_ algo que venho pensando muito ultimamente. E o comentário a cima de Nana+ complementou o pensamento que vi naquela propaganda da Riachuelo.

    Os shipps são só algo bobo que a indústria impõe e ainda dizem que diminui preconceito, pego um caso que vi_ Brendon Urie vocalista do Panic! At The Disco no inicio da banda era sendo shippado com Ryan Ross e na época eles tinham essa de ficar igual esses kidols, e eram todos felizes e fãs juravam e arrumavam provas que os dois eram juntos e isso atraiu uma massa, mas não revoltava sobre o público de fora também. O tempo passou, Ryan saiu da banda e tinha relacionamento hétero e Brendon também é casado, então depois de 10 anos depois Brendon comentou de fato que tinha tido uma experiência homoafetiva na adolescencia e BOOM! ele foi criticado pelos de fora e alguns fãs_ não sendo as fãs dos shipps_ deram um wtf e nó

    Enfim, surpresa mais uma vez, mas sou sincera em dizer que o carinha não tem uma voz boa e a música é muito paradinha, espero que ele melhore e muito no vocal

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    • Brigado pelos elogios xD Eu acabei me impressionando com essa tirinha porque, de uma forma muito simples, colocou tudo em perspectiva e a gente já fica se questionando sobre essa questão toda da luta da diversidade no meio cultural de massa. As propagandas mesmo são mestras nesse tipo de pseudo-representação, já que a gente não tem muito mais o que ver além dos dois/três minutos de vídeo.

      Não sabia desta história da Panic! At The Disco O.O Realmente, só mais prova que os ships não funcionam para a representatividade, mas sim para chamar a atenção…

      A música, de fato, é pra quem curte um rolê mais paradinho e não liga muito pra vocal kkk Eu mesmo só gostei da música porque o carinha fala/representa um romance homoafetivo, tenho certeza que, se fosse algum/a cantor/a básica cantando sobre qualquer coisa no mesmo estilo, duvido que iria gostar kkk

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  4. Post ótimo como sempre!

    “O mercado percebeu a demanda por representatividade e a transmutou em um produto que pode ser consumido sem por em risco os padrões da sociedade” – Frase perfeita. É exatamente isso que acontece, com absolutamente tudo na nossa sociedade, que nem a tirinha exemplificou muito bem também. A parte boa de tudo virar um produto de massa é que passa a ser algo normal, e quero mesmo que MVs como o do Holland sejam bem aceitos no futuro.

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    • Brigadão xD Demorei um pouco pra perceber isso, mas é meio inegável, ainda mais com a questão do “que pauta social está em voga agora??”… Tô na esperança que MVs que nem o dele sejam bem aceitos e espero muito que esse seja o começo de uma evolução nesse quesito e não apenas um produto isolado de nicho

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