Dilemma, Apink: Assegurando o status de lendas

A mudança sonora e de imagem que o Apink sofreu em 2017 ainda tem muito pano pra ser discutida e analisada por todas as capopeiras por anos e mais anos. Foi um movimento tão inusitado e, ao mesmo tempo, tão certeiro, que levou o grupo a um novo pantamar sem, necessariamente, negar todo o histórico aegyo que elas tinham conquistado até então. Dilemma, e o álbum que a acompanha, vem para comemorar a longevidade do grupo em mais de dez anos de carreira, algo que quase foi arrancado delas por polêmicas e a decisão BIZARRA da Naeun ir pra YG:

Existe algo muito mágico e sinestésico nos singles do Apink pós-transformação. I’m so sick, %% e Dumhdurum conseguem trazer uma aura madura sem, necessariamente, partir para um sexy concept by the numbers como o kpop está acostumado. Dilemma segue com este direcionamento, mas é coroado pela experiência das próprias integrantes com este conceito, pela EXCELENTE produção do Black Eyed Pilseung e por mais uma direção de arte impecável.

Este é, provavelmente, o motivo pelo qual cada comeback do Apink seja tão impactante depois de 2017: tudo casa. E casa MUITO BEM.

O vídeo cria a ilusão de reproduzir a melodia, permanecendo em constante movimento, em giros horizontais e verticais que ora transforma as integrantes nas sofredoras da letra, ora as confere o papel de causadoras do sofrimento. A ideia de um “dilema”, quando atinge nossa mente é justamente esta confusão da percepção, em que não se sabe o melhor caminho. Os pensamentos giram procurando uma resposta, nos colocando de frente para nós mesmos. A ponte, onde o saxofone processado brilha em seu momento mais místico, é o momento em que o clipe mostra mais isto, com as integrantes se encarando, conforme a câmera gira e elas vão trocando de lugar, como os pensamentos novos que vão se formando ante o dilema e substituem os antigos.

É um conceito interessante que cai como uma luva para esta aura elegante que elas já possuem. Existe, porém, um tipo de afirmação neste lançamento, tanto na coreografia quanto no take inicial e final com todas de vestido. Fica nítido que elas são sêniores, super experientes no que fazem e, agora, observam o kpop deste status único de lenda.

Não há um lançamento recente que soe desta forma (principalmente com o saxofone processado quebrando o que poderia ser um dance-pop mais comum) e faz muito tempo que um nome com o status de lenda vem abalar as estruturas desta forma. Com Dilemma, Apink não só mostra mais uma versão de seu lado classudo, aqui, sem sombra de dúvidas, elas se tornaram longevas e bem sucedidas o suficiente para terem uma marca tão forte, mas tão forte, que podem evitar boa parte dos maneirismos da modinha sem problemas.

Claro que tem um breakzinho de trap ali, mas o ponto é que Dilemma soa exatamente como Brave New World soou em 2015 e como Ending Credit soou em 2017, pra citar nomes da segunda e primeira gerações, respectivamente. Não tem como ninguém fazer igual porque só um ato tão grandioso quanto o Apink atualmente conseguiria chegar perto.

Filosofei e rasguei ceda, EU SEI, mas a criatividade artística do grupo sempre me impressiona e inspira. É um dos poucos casos em que o aspecto visual e sonoro realmente casam muito bem. Mas talvez isto tenha me deixado com um hype absurdo demais na hora de ouvir o álbum kk

Em comparação aos EPs anteriores, ele soou um pouco impactante DE MENOS. A curadoria das demos não foi das melhores e faltou aquela unidade com o resto do lançamento (a foto da capa achei bem sem relação com o resto também). Temos bangers como Single Riders e Free & Love, mas algumas faixas destoaram muito de toda a carga melancólica e mística que o Apink traz. Talvez algumas faixas melhorem com o tempo (ou eu só esteja muito chato com álbuns) mas não acho que vai acabar sendo um dos melhores do ano não…

HORN - Album by Apink | Spotify

Apesar das dificuldades, Dilemma saiu como esperado, lembrando a todos nós que o Apink não é um nome a se esquecer no kpop. O álbum pode não ser tão bom quanto o potencial do grupo (seja antes ou depois da mudança de imagem e sonoridade), mas, ainda assim, é bem legal ver o grupo conseguindo contornar todas as dificuldades e lançar algo tão robusto e sólido com dez anos de carreira.

O Aquário Hipster também tem Twitter!! Segue lá: @AquarioTutu

Um comentário em “Dilemma, Apink: Assegurando o status de lendas

  1. Eu nunca acompanhei APINK. Os girlgroups que acompanhava giravam em torno dos conceitos de girl crush e/ou sexy concept ou qualquer coisa que a JYP enfiasse no Wonder Girls. Acho que a maior excessão para cair no aegyo era Girls Generation? Não lembro se tinha mais.

    E bom, todos os girls groups que eu curtia deram disband e fiquei sem ter nada para acompanhar – o que me fez ficar um bom tempo sendo only army (em meio a esse caos de ggstan eu tinha tempo de ser army, vai entender) e depois conheci o ateez e me apaixonei por eles (o que me tornou duo por um tempo).

    acho que esse reset de girlgroups me fez ficar mais aberta, minha cabeça mudou também e minhas percepções/entendimentos sobre feminismo, empoderamento e toda essa indústria indústria kpop mudaram.

    e por mais que eu ame os meninos do ateez e do bts, sinto muita falta de gostar de um gg e acompanhar.

    Com essa mudança do Apink acabei indo conhecer mais delas e, cara, como elas são incríveis 😭❤ Não sou stan, mas admiro muito a trajetória. Tenho carinho pelo grupo e essa música está muito boa (vou escutar o álbum ainda).

    Triste pq uma das integrantes não pode participar das promoções, mas até que compreensível. Pelo que li, devido aos constantes adiamentos do cb ficou complicado por parte da Naeun continuar rejeitando papéis em prol do Apink.

    Enfim, vou escutar o álbum enquanto mesclo com STAYC e VIVIZ 😔❤

    Curtido por 1 pessoa

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