TOMBOY, (g)i-dle: O Ato Feminino Mais Subversivo em Atividade

Sem sombra de dúvidas, o (g)i-dle é um dos grupos mais novos que eu amo de paixão. Tudo parecia ótimo, com uma evolução tranquila, até que a Cube foi péssima (pra variar kk) no gerenciamento da polêmica da Soojin, levando ela a sair e o grupo entrando em um hiatus forçado enquanto trabalhavam uns solos aí. Todo mundo (eu incluído) já dava o grupo como morto, mas, para nossa surpresa, elas não só voltaram, como vieram com seu primeiro full album:

Olhando os lançamentos anteriores do grupo, era nítido que a Soyeon estava um bloqueio criativo. Os singles eram super parecidos entre si, por mais que tivessem desenvolvido um lado mais leve pro verão e um mais dark pro começo do ano. É nítido que a saída da Soojin deu uma bagunçada em todo mundo e, do jeito que a Cube tá recentemente, se flopasse UM POUQUINHO a chance do grupo voltar ia ser furada.

O que eu acho interessante é que TOMBOY é uma resposta bem agressiva a todo este contexto. Do jeito que a Coreia é personalíssima, quando um integrante de qualquer grupo famoso sai, o lançamento seguinte costuma ser mais leve, dentro da casinha, sem grandes invenciones pra não dar mais problema. TOMBOY, por outro lado, não liga pra isto e menciona diretamente a possibilidade de disband (o nome do álbum é, literalmente, “eu nunca morro”!), a história de sucesso do grupo e ainda traz umas alfinetadas muito bem feitas pros homens coreanos. Este último é especialmente doido, porque a Coreia teve uma polarização GIGANTESCA entre dois candidatos a presidentes (parecido com o que aconteceu aqui em 2017), com o candidato mais conservador (e machista) ganhando por muito pouco (acho q foi menos de 5% de diferença… é muito pouco MESMO).

Pra combinar com esta audácia, a melhor sonoridade possível era o rock e elas usam as guitarras da melhor forma possível. Entre um comeback do ITZY e outro, sempre surge a discussão de como o rock é uma ótima alternativa para grupos femininos se destacarem de outros e ainda se manterem no girlcrush. Soyeon trouxe o primeiro experimento disto, com toda pomba que o gênero tem. É uma faixa grande, impactante, que aproveita o primeiro verso solo de cada integrante como uma reapresentação delas depois de muito tempo.

Além do refrão explosivo, a ponte é outra maravilha, com uns lalala super macabros, enquanto elas esclarecem que “tomboy” é, na verdade, uma forma de dizer que elas não se conformam com as expectativas de gênero. Como se não bastasse, o clipe corta pra uma animação muito bem feita, com versões “Barbie” delas assassinando um Ken.

Muito bom, sério!

O “full” álbum é super curto (eu já desisto de reclamar disto… Acho que a Coreia tá interpretando qualquer coisa com mais de 20min e mais de seis músicas como full e é isto aí) mas bem efetivo ao que se propõe. Não foi desta vez que o estilo ficou só no single, com outras duas faixas tendo o mesmo rock animado de TOMBOY (Never Stop Me e LIAR), outras três naquela vibe mais tristonha e emotiva do emo rock (Already, Polaroid e Escape) e duas com as inspirações de trap de garota má que o grupo faz desde o debut (Villain Dies e My Bag).

É um álbum sombrio, melancólico e agressivo, que traz uma nova cara para o (g)i-dle pós-saída da Soojin, mas sem se esquecer totalmente do estilo super consistente que elas trabalharam antes. Pode ser um pouco lento demais pra alguns (eu mesmo não esperava que tivesse três faixas tão introspectivas em sequência), mas eu achei uma mudança boa pra renascer um pouco o caráter de novidade que os álbuns do grupo tinham no começo.

TOMBOY é uma jogada totalmente nova pro (g)i-dle, que se renova sem ter medo de apontar o dedo na fuça de todo mundo e gritar que elas vão continuar sim. De bônus, ainda temos SOyeon na varguarda, apostando no punk rock antes de isto virar modinha (porque pelo menos no kpop vai virar, dá pra ver). Eu fico muito curioso pra ver como o grupo será a partir de agora. Com este lançamento, elas se tornaram o ato feminino mais subversivo em atividade e isto me deixa muito empolgado (ainda mais depois de tanto girl crush vazio e boygroupficação dos girlgroups).

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