Feel My Rhythm, Red Velvet: Se fosse o Oh My Girl tava todo mundo sentando o pau!

Eu enrolei HORRORES pra escrever sobre o Red Velvet. Eu tinha zero expectativas para o que poderia vir e MESMO ASSIM fiquei sem saber o que dizer. Mas agora a enrolação acabou (e também a primeira semana de aulas não ajudou muito em questão de tempo), vamos lá, o que eu achei de Feel My Rhythm:

Achei LINDO, mas esquisito pra caramba.

O clipe tem várias referências ao balé clássico, ao rococó e a primavera num geral, mas a música em si… Não sei.

Dada a FALÁCIA que foi Queendom, eu imaginava mais uma faixa safe do grupo, numa vibe Psycho. E foi meio que isso. A faixa utiliza uma progressão de trap lotada de elementos, misturando os modismos do gênero com instrumentos mais “clássicos”, pra trazer uma espécie de cottagecore modernizado pra 2022.

Funciona? Não sei… Já vi trocentos elogios internet a fora, mas eu sou da galera que não curtiu muito não.

É interessante ser algo estranho (o que indica que, pelo menos, tão tentando soar diferentes com o grupo), mas pareceu algo tão… desfocado. Os elementos não se conversam e parecem que brigam durante toda a duração da música por protagonismo.

Acho que o principal causador disso é forma como ocorreu a mixagem, deixando tudo mais ou menos no mesmo volume. Se os elementos de trap estivessem um pouco mais baixos, daria pra ouvir melhor as vozes delas e a música teria esta vibe mais clássica de balé. Se os elementos clássicos estivessem mais baixos, a faixa seria mais modernosa e criaria um contraste interessante com o visual e vocais mais adocicados. Do jeito que tá, só parece que queriam ir pra mais de um lugar com o lançamento e não conseguiram decidir no final.

O clipe é um exemplo muito bom disso. Ele é totalmente desfocado e mistura paletas e conceitos que não se conversam direito. A ideia de colocar o balé do Lado dos Cisnes é boa, mas o conceito do balé NÃO COMBINA com os ideais burgueses do Rococó. A paleta rosa pastel, com os balanços e os elementos mais naturais é ligada ao luxo e ascensão da burguesia, que passou a ter dinheiro pra encomendar seus retratos. O lago dos cisnes vem numa via totalmente diferente, 100 anos depois, com um cenário nobre, passando-se praticamente inteiro entre um lago e um palácio, sem espaço pra o desabrochar da primavera (que tivessem pegado então A Bela Adormecida, que é um conto que representa a chegada da primavera).

Pra tentar equilibrar as coisas eles colocaram umas cenas aleatórias da Wendy embaixo d’água que só me confundiram ainda mais (talvez seja o lago dos cisnes, mas tava com uma vibe Pequena Sereia pra mim) que deixou tudo ainda mais desconexo e confuso. O grupo as vezes dá dessas (com o pior caso sendo Power Up) e o excesso de referências acabou atrapalhando o resultado final.

INCLUSIVE, as referências artísticas foram jogadas tão a esmo que fiquei com raiva depois de ver este vídeo elencando elas. Misturaram quadros não só com propostas diferentes como de movimentos que eram contrários entre si (ter pinturas impressionistas e acadêmicas como se fosse tudo uma coisa só é o cúmulo pra quem já tá há um ano estudando este período específico da arte europeia).

Enfim, com o single de lado, podemos dar uma olhada no álbum, que também não faz grande coisa. Ano passado, pelo menos, as b-sides eram bem construídas e trabalhavam os pontos fortes do Red Velvet em uma tracklist coesa e agradável (tirando o single, claro). Aqui, metade é de se jogar fora. Assim como o single, Rainbow Halo e Beg for Me não consegue se decidir pra um lado mais modernoso ou mais clássico, soando desconjuntadas no processo. In My Dreams e Good, Bad, Ugly não são impactantes o suficiente pra serem lembradas, apesar da última até ser gostosinha.

Mas Todavia Contudo Porém, não está tudo perdido. Existe UMA FAIXA que compensou todas as escorregadas do Red Velvet. Uma faixa tão sinestésica, bem produzida e bem interpretada que tem grandes chances de ser uma das melhores do ano. BAMBOLEO é a junção perfeita entre a primavera etérea e um instrumental moderno, em que elas estão harmonizando num agudo impressionante, com direito a um fucking SOLO DE GUITARRA. Sério, lindo demais. É esse o Red Velvet que amo e nunca me deixa na mão (por pior que os lançamentos possam ser).

Pra mim, Feel My Rhythm funciona apenas superficialmente. Se fosse antes de eu entrar na faculdade de Artes Visuais ou se fosse o primeiro comeback delas depois da polêmica da Irene, talvez eu até aceitasse de bom grado a bagunça que foi. Mas, no cenário atual, não dá. A SM sabe muito bem o que tá fazendo (não é a toa que o Max Changmin e a Taeyeon tiveram singles ótimos e clipes muito bem pensados este ano) e no Red Velvet ela só tacou o “modo artístico” a esmo.

Sem contar que se fosse o Oh My Girl nessa melodia açucarada toda bagunçada certeza que pelo menos metade do povo que tá elogiando ia sentar o pau sem dó. O verniz “conceitual” do Red Velvet é muito forte e, como os anos provaram, conseguem mascarar qualquer deslize que a SM cometa com o direcionamento artístico e sonoro do grupo.

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Um comentário em “Feel My Rhythm, Red Velvet: Se fosse o Oh My Girl tava todo mundo sentando o pau!

  1. “O verniz “conceitual” do Red Velvet é muito forte e, como os anos provaram, conseguem mascarar qualquer deslize que a SM cometa com o direcionamento artístico e sonoro do grupo.” Sim é isso, sem mais.

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