New Jeans, NewJeans: O debut do ano veio como um… álbum conceitual?! | Album Review 015

Faz um bom tempo que não faço uma Album Review aqui no blog. Seja pela falta de tempo ou pelo meu perfeccionismo com este tipo de análise, dá pra dizer que não teve um álbum que se vendeu bem o suficiente pra eu decidir sentar e me debruçar apenas sobre ele em um post desde City of ONF (que acabou nem sendo tão bom assim). Mas o NewJeans debutou sob direção da Min Heejin, artista visual que foi diretora criativa na SM por 16 anos, fazendo algo que ninguém fazia há muito tempo no kpop: vendendo não apenas um single, mas um álbum inteiro.

A capa imitando a textura de uma calça jeans foi um charme a parte

Foi uma jogada incomum, mas não surpreendente. O cenário mundial tá com o projeto de álbuns conceituais desde lançamentos como The ArchAndroid, em 2010, Beyoncé, em 2013, e EMOTION, em 2015. O próprio kpop já tinha investidas desse tipo com o f(x), o Red Velvet, o BTS e muitos lançamentos de 2015 (REBOOT, BASIC, Kiss My Lips, Crazy, Odd). Se pararmos pra pensar é até esquisito demorar tanto pra um projeto assim surgir logo no debut de um grupo, e, provavelmente, deve ter sido uma mistura de liberdade criativa pra Min Heejin com a influência da Hybe e a necessidade de criar uma cortina de fumaça pras polêmicas da Garam que tinha acabado de debutar no Le Sserafim.

Mas, eu já tô mudando de assunto kk Vamos ver as músicas (todas com clipe) e conferir o EP é realmente essa coisa que prometeram.

O EP começa com o banger de Attention, a grande razão pela qual as garotas conseguiram todo esse media play desde o começo. Com um clipe muito bem dirigido a partir da estética Y2K (de verdade! E não as lambanças que uns atos aí resolvem fazer), as cinco integrantes trazem todo o frescor de um grupo novo com um estilo de música totalmente diferente do que o kpop atual está apostando. A faixa também reflete a estética Y2K, bebendo muito da fonte dos R&B pop que explodiram no final dos anos noventa por causa de grupos como TLC e En Vogue.

Se isto lembra o lado velvet original do Red Velvet é porque é exatamente a mesma referência. O próprio grupo tem o En Vogue como uma de suas inspirações estéticas e sonoras, deixando bem clara a marca da Min Heejin sem nem precisar pesquisar muito. Mas, diferente do grupo da SM, que ainda está preso demais a uma estética mais típica do kpop, o NewJeans conseguiu envelopar esta melodia com um visual que combina e completa o throwback aos anos 2000.

E isto, ao meu ver, que deixa a música tão diferente de qualquer coisa que lançaram (e provavelmente vão lançar) neste ano. O clipe tem seus momentos kpop, mas, como um todo, ele soa muito mais orgânico e natural do que qualquer debut dos últimos cinco anos. As meninas estão com bem menos maquiagem na cara, usam roupas bem menos “idol de kpop” e parecem, como um todo, estarem performando de uma forma que esteja mais alinhada com a idade delas.

Na música em si, o que realmente fez a diferença foi o coro, que permeia as partes mais suaves, dando um flavor diferente pro R&B dos anos 2000 ao mesmo tempo que aumenta um pouco do pulso da faixa pra combinar com a coreografia mais rápida (algo que sempre erram em números mais lentos que são single). É um debut de peso e veio pra marcar a nascente quarta geração do k-pop, sem sombra de dúvidas.

Hype Boy, o segundo pre-release, vem logo depois, sendo bem mais kpop em construção. Escalonando as expectativas, gravaram QUATRO clipes diferentes pra faixa, focando em diferentes narrativas nos crushs ficcionais das meninas. Isso foi uma ótima estratégia pra fazer as pessoas repetirem a música antes de ela estar nos streaming, além de já diferenciar as integrantes entre si logo no começo. De quebra, se a Ador/Hybe for esperta, eles podem até decidir o foco de cada uma para o próximo comeback baseado no quão popular foram os vídeos individuais entre si (caso tenha ficado com curiosidade, a versão mais vista foi a duplinha Danielle e Haerin, e a menos vista foi a da Hyein).

Tudo na faixa é mais próximo do que estamos acostumados no cenário, mas sem tirar aquele flavor Y2K de Attention, a faixa tem as transições bruscas de hoje e os passos mais frenéticos (elas dançando enquanto olham uma pra outra é uma gracinha), mas a performance vocal das meninas ainda tem um quê de R&B noventista. A intro dos quatro vídeos é dentro de um galpão cheio de CG e efeitos práticos (bem quarta geração MESMO), mas cada clipe desemboca numa narrativa que mantêm a paleta e apresentação mais clean (com inclusive, interesses românticos de diferentes etnias e feições, ficou bem legal, sério).

Achei fofo, achei coeso e bem condizente com a faixa e o público alvo das meninas (quem cresceu nos anos 2000 sabe como essa vibe de crushar num disney boy era comum). A faixa em si só acabou ficando na minha cabeça por conta da ideia de clipes diferentes (ela sozinha não chega nem aos pés de Attention), o que era o que os envolvidos no planejamento queriam, então, vitória pra eles.

Cookie além de ser kpop, é bem kpop DE AGORA, com o trap da modinha sendo a grande linha condutora da faixa. Sozinha é bem fraca, porque parece qualquer faixa genérica que o Gray produziria e venderia pra um periférico do k-hip hop. MAS funciona dentro do álbum pra ter algo com cara de mais moderno mesmo na tracklist. É importante elas terem algo sem um filtro retrô por cima pra garantir que chamem a atenção de gente mais nova (e tenham alguma presença no TikTok), então tá ok, não reclamo.

O clipe é meio pobre, o que decepciona um pouco (considerando que esse ia ser O SINGLE OFICIAL e as duas anteriores seriam pre-releases), mas, pela forma como foi feita a divulgação do projeto, só do clipe existir já cumpria o hype. Veja, a proposta aqui é vender o álbum como um todo, então faz todo o sentido gerar essa dúvida do que seria single e o que não seria, ainda mais com tudo recebendo um clipe. Lançar a música mais diferentona e os clipes mais inventivos antes do álbum só pra gerar interesse é uma estratégia que a indústria fonográfica de várias partes do mundo já fazem com muito sucesso. Pega o exemplo do Japão: são vários clipes e lançamentos super impactantes no decorrer de um/dois anos pro álbum em si ser lançado junto de um single mais pobrezinho. O interesse já está lá pelo que veio antes, então dá pra segurar um pouco a barra no lançamento, porque elas não precisam mais chamar a atenção (badum tss… Foi péssima, eu sei).

Falaram por aí de sexualização de menores e tudo mais no projeto (e principalmente nessa música), naquele tipo de discussão de twitter que só joga coisas sérias sem nem pensar duas vezes e, bem, eu não vi tudo isso não. A letra é bem de boas e a forma que elas tão se apresentando é bem mais tranquila se comparado a qualquer grupo de kpop atual que tenham menores de idade (Le Sserafim por exemplo). É até fofo ver elas num trap (um gênero musical com bastante cara de “adulto”) falando sobre fazer cookie pro carinha.

Eu acho que essa polêmica que tão puxando tem muitas coisas envolvidas que os fãs de kpop mais novos (ou mais ignorantes) ainda não conseguem perceber: (1) o debut de crianças e adolescentes no kpop é um fato desde a primeira geração e isto deve ser questionado em caráter estrutural, (2) é RIDÍCULO o tamanho das roupas de algumas integrantes, sejam elas menores de idade ou não… usar cobertor em programa de variedade porque a saia é muito curta (sem a mulher ter escolhido usar aquela roupa) é o fim da picada há tempos, (3) tem muito preconceito de adolescente com gente “mais velha” (lê-se “com mais de 20 anos”) que curte as mesmas coisas que eles, e (4) é muito curioso como justo quanto é uma mulher na direção de um grupo as críticas vem né? Não vi ninguém falando na sexualização de integrantes desse jeito quando é um diretor homem ou, ainda, quando é uma boyband. Deve ter mais coisa, como sempre, mas o que consegui pensar foi nessa linha.

Polêmicas de twitter a parte, o EP se encerra com Hurt, a baladinha obrigatória de final de álbum, que teve um clipe feito as pressas pra deixar o EP inteiro visual. Curiosamente, a faixa consegue funcionar melhor que Cookie kk Tá que eu estou com bastante paciência pra números mais lentos ultimamente, mas Hurt consegue ser uma balada sem quebrar o clima Y2K do projeto, trazendo uma variabilidade sonora necessária pra um lançamento tão curto sem soar extra.

A melodia é bem produzida (sem aqueles pianos/violões sem graça por aqui) e servem como um ótimo palco para os vocais delas brilharem. Essas meninas estão cantando (e pronunciando inglês) MUITO BEM pra um grupo com integrantes tão jovens. Dá perceber isso porque a faixa se arrisca em deixar linhas solo de destaque pra todas, sem a oportunidade de uma barreira sônica disfarçar um grito mais esganiçado aqui ou ali.

Assim terminamos o projeto visual do NewJeans com alivio. Por mais que existam álbuns bons esse ano, este EP do NewJeans é o primeiro que foi marketado como um álbum para se ouvir completo. A direção do grupo percebeu o potencial que tinha se explorassem todas as faixas e como um álbum tão curto poderia ser mais efetivo que muita bíblia se dessem a devida atenção pra cada música. Minha preferida, de longe, é Attention, mas não é como se eu não fosse escutar o álbum inteiro no repeat (sou um rato de álbuns, no fim das contas kk).

Fiquei muito feliz com este debut. Por mais que o Le Sserafim tenha sido muito bom, NewJeans trouxe uma brisa de ar fresco pro kpop feminino mais recente, com ótimas referências, ótimos visuais, muito carisma e, por incrível que pareça, largando um pouco a mão do perfeccionismo estético excessivo que assola o kpop como uma praga.

O Aquário Hipster também tem twitter! Segue lá: @AquarioTutu

9 comentários em “New Jeans, NewJeans: O debut do ano veio como um… álbum conceitual?! | Album Review 015

  1. Eu adorei esse debut e gostei de TODAS as musicas, attention acabou virando a queredinha? Acabou, mas é pq ela é boa mesmo, até Hurt que deveria ser a mais chata eu adorei, principalmente o MV com esse mega zoom na cara delas, dar aquele ar mais intimo onde você esta conhecendo melhor as meninas, ai adorei tudo estou bem feliz com os grupos femininos da HYBE quem diria.

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  2. Análise maravilhosa💜

    Espero que esse hype dê uma balançada na indústria e em como eles promovem seus trabalhos. Sempre me incomodou essa dinâmica de promover a faixa título e uma bside avulsa e acabou promoção. Tem tanta música boa que passa despercebida que chega a doer saber que ela nem sequer vai ter uma apresentação em um music show.
    Tô torcendo (mesmo que ingenuamente😔) que valorizem mais o trabalho por completo (nem que seja uma palinha em uma live!)

    Curtido por 2 pessoas

  3. Adorei muito as meninas, mas sobre Cookie, é porque bem, Cookie ficou muito perto de coochie, que é uma gíria para partes femininas e a letra de olhar para o meu biscoito, o biscoito ser muito macio, eu quero ver você provar, de não conseguir parar em uma mordida, com o refrão de estar com fome, com sede mas não tem a comida nem a água, só o biscoito (que deve estar molhado) como em várias músicas tipo a da Ariana professora de matemática na era asiática dela, 34+35, “você bebe como se fosse água, diz que tem gosto de doce”, ou a Madison Beer em Baby ” eu tenho gosto doce, açucarada, eles dizem que eu sou a mais doce”, e ter que fazer um vídeo explicando a letra deixou em claro que sabiam que poderia ser entendida dessa maneira, não achei de bom tom, se todas fossem de maior seria um slay kween dando chave de buceta em macho, mas não são 😦

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  4. O new jeans já debutou com uma estética bem definida de anos 2000 (e eu sou apaixonado por essa época aliás ksks) e o conjunto mv + estética + a sonoridade mais fresh e leve que te leva de volta pra uma época aonde as coisas eram mais simples e os dias eram mais brilhantes.

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